SIM, ITAGUAÍ SOBRE DUAS RODAS.

Município está longe de ser uma cidade sustentável, faltam bicicletários e ciclovias para atender população.

Natália Figueiredo, Jornal Atual

No ano passado, a Câmara Municipal de Itaguaí aprovou o projeto de lei do vereador Nisan Cesar, que obriga estabelecimentos comerciais, como shoppings, supermercados e bancos a instalar bicicletários, com estrutura correspondente a 10% do total de vagas disponíveis aos automóveis no local, ou em caso de agências bancárias, se não houver estacionamento o bicicletário deverá ser instalado em frente às agências, com no mínimo 10 vagas motivando novos usuários a adotarem a prática da utilização de bicicletas.

No entanto, andando pelas ruas de Itaguaí é possível perceber que a lei, promulgada em setembro de 2011, não saiu do papel. Em frente ao Itaguaí Shopping Center encontram-se bicicletas amarradas em postes de luz e de sinalização, sem nenhum local adequado e o mesmo acontece em frente às inúmeras agências bancárias da região. Somente no calçadão de Itaguaí foi possível encontrar locais com bicicletários próximos.

A lei, inspirada no programa Rio Cidade da Bicicleta, criado pelo então deputado federal Júlio Lopes (atual secretário estadual de Transportes), tem o objetivo de despertar a consciência ecológica na capital do estado e o prazer pelo esporte. Mas, para que tudo isso aconteça é necessário ter um local adequado para que os ciclistas não se arrisquem no meio do transito. E a cidade de Itaguaí ainda não dispõe de uma ciclovia para atender os praticantes do esporte.

A farmacêutica Ana Paula, moradora do município de Paracambi, trabalha em Itaguaí e contou ao ATUAL que já procurou diversas vezes informação sobre ciclovias na cidade, para praticar exercícios durante sua extensa hora do almoço, mas não encontrou.

De acordo com a Secretaria de Obras, responsável pela fiscalização da lei, o projeto dos bicicletários ainda se encontra em trâmite interno, acrescentando que o plano de uma ciclovia municipal já existe, mas está sem data para iniciar. Ele encontra-se em parecer e aguarda a análise do governo federal, para receber investimentos e ser implementado.

Nas palavras de Lopes, criador do programa Rio Cidade da Bicicleta, “Não é possível estimular a população a colocar suas bicicletas nas ruas sem antes pensar em instalar ciclovias, bicicletários e sinalização específica”.

Ou seja, para que haja mudança de hábito na população é preciso que todas as etapas do processo andem em conjunto, desde a instalação de ciclovias, aos bicicletários e sinalização. A final, infraestrutura da cidade e a segurança dos ciclistas tem que vir em primeiro lugar.